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Mês da Inclusão Digital 2009 reforça a necessidade de uma política pública para o setor

 

Rodrigo Baggio, diretor executivo do CDI

Há nove anos, o Comitê para Democratização da Informática (CDI) realiza uma série de programações em março para comemorar o Mês da Inclusão Digital. O objetivo é reforçar o combate ao cenário da exclusão e mobilizar a sociedade para a causa. Para 2009, a agenda do Mês prevê novidades: eventos públicos conectando tecnologia, arte, esporte e cultura urbana. No Rio de Janeiro, o evento aconteceu ontem (15), tendo como referência a escola Municipal Pedro Ernesto. Todo o muro que cerca o quarteirão da escola foi decorado por 40 artistas do grafite. Eles utilizaram uma grafitagem com motivos alusivos à inclusão digital. Além disso, para dar vida nova a equipamentos de informática, também pintaram dezenas de gabinetes. Paralelamente ao trabalho dos grafiteiros, o público encontrou tendas com computadores, dispostas nas calçadas, para acesso à internet, a serviços on-line e a jogos. O Mês da Inclusão Digital é um mix de atrações, um encontro solidário de diversas idades e tribos, unindo esforços para dar visibilidade a um desafio que persiste: o de integrar quase 50% da população brasileira ao mundo da tecnologia. Em entrevista exclusiva à TIC Educação, o diretor executivo do CDI, Rodrigo Baggio, falou sobre as novidades de 2009 em relação à programação. Baggio disse ainda que é preciso diminuir o abismo digital e reforçou a importância da tecnologia que, se usada com autonomia, criatividade e de forma responsável, impacta positivamente o campo pessoal e profissional. Para o diretor executivo do CDI, o Brasil precisa de uma política pública de inclusão digital e reorganização das existentes.

TIC – Qual o objetivo dos eventos promovidos pelo CDI no Mês da Inclusão Digital?

Rodrigo Baggio – O objetivo é levantar a bandeira da inclusão digital e mobilizar a sociedade em torno dessa causa, pois o índice de excluídos, tanto no Brasil quanto na América Latina, onde também atuamos, ainda é muito alto. Os que são beneficiados com o acesso à tecnologia sabem o quanto esse acesso faz a diferença. Usada com autonomia, criatividade e de forma responsável, a tecnologia impacta positivamente o campo pessoal e profissional, o dia-a-dia, os relacionamentos. E impacta, sobretudo, as comunidades de baixa renda, que, através do apoio das ferramentas tecnológicas, podem criar e implementar projetos de desenvolvimento  comunitário, de geração de renda, de cultura, de saúde e tantos outros. A tecnologia da informação é uma aliada, um grande instrumento de aprendizagem, de trocas e de construção de novos cenários. E quanto mais pessoas se conscientizarem disso, mais avançaremos na luta contra o apartheid digital.

TIC – Há nove anos, o CDI realiza uma série de programações

em março para comemorar o Mês da Inclusão Digital.

Que resultados positivos você tem observado ao longo desse período?

Rodrigo Baggio –
Hoje, a sociedade como um todo e a própria mídia estão muito mais envolvidas com o tema da inclusão digital. A gente observa que há um interesse crescente, um número maior de pessoas que se oferecem como voluntários para atuar nesse campo. Além disso, com o passar dos anos, o CDI conseguiu dar mais visibilidade à sua luta junto às populações menos favorecidas, inclusive pelos eventos públicos que realiza para comemorar o Mês da Inclusão Digital. E não é só: conquistamos novos parceiros e motivamos governos e instituições a celebrarem também a passagem do Mês da Inclusão Digital. Ou seja, tudo isso, somado, reverteu para que o CDI ampliasse e melhorasse sua atuação, favorecendo mais parcelas da população de baixa renda e transformando milhares de vidas. Temos um grande orgulho em ter dado o pontapé inicial no combate à exclusão digital, há quase 15 anos, e continuar na linha de frente dessa batalha em âmbito nacional e internacional.

TIC – Quais as novidades de 2009 no Mês da Inclusão Digital?

Rodrigo Baggio –
Há nove anos, para comemorar o Mês da Inclusão Digital, que é março, o CDI vem organizando fóruns de debates, seminários, gincanas, atividades esportivas, apresentações artísticas, oficinas, passeatas e muitas outras coisas. Mas sempre acompanhados de grandes eventos públicos. Só que em 2009, em alguns estados, também fizemos eventos “multimídia”, conectando tecnologia, arte, esporte e cultura urbana. No Rio de Janeiro, esse evento aconteceu no último domingo, dia 15, na zona sul da cidade, durante um dia inteiro. Reunimos, num só local e simultaneamente, acesso à Internet (com serviços e jogos); grafitagem (40 artistas e 300 metros de muro); astros do basquete de rua, do skate e da capoeira; MCs; hip hop, reggae e muito mais. Isto é, um mix de atrações, algo inovador, que seduziu públicos de todas as idades.

TIC – Que ações estão sendo desenvolvidas hoje no Brasil que reforçam o combate ao cenário da exclusão digital?

Rodrigo Baggio –
Várias ações estão sendo tocadas, mas de forma dispersa e até desordenada. O próprio governo desenvolve muita coisa ao mesmo tempo, às vezes com enorme desperdício de tempo e recursos, já que um mesmo projeto é gerido por diferentes ministérios e secretarias. Sempre gosto de frisar que precisamos de uma política pública de inclusão digital, para que tenhamos um planejamento, uma meta, para que possamos monitorar e colher os resultados. E essa política precisa ser construída de maneira participativa, por toda a sociedade, devendo se espelhar nas iniciativas já existentes e bem-sucedidas, como é o caso do CDI. Pois, não é à toa que há 15 anos estamos aprimorando nosso modo de trabalhar e aprendendo com nossos erros, num permanente processo de avaliação e evolução. E, em 2008, demos um gigantesco passo à frente: iniciamos um movimento de reinvenção organizacional, para podermos oferecer produtos sociais ainda melhores para a sociedade. Os nossos espaços “CDIs Comunidades” disponibilizam hoje muito além de cursos e serviços, são espaços que estimulam a produção e troca de conhecimento, pois é o conhecimento que liberta e transforma as pessoas.


 
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